abril 28, 2006

Embarca no Maria Matos

Excelente anúncio. No entanto a peça com que reabriu não é de Gil Vicente, mas antes de Moisés Kaufman e encenada pelo Diogo Infante: "Laramie". Que também já esteve no Porto, e aborda a questão dos crimes de ódio homofóbico. [via]

Boss

PS: A f. recomenda que se levem kleenexes para ver a peça. Na versão estendida do post segue o diálogo transcrito, para os leitores que eventualmente não o tenham entendido.

ANJO
Que quereis?

FIDALGA
Que me digais, se a barca do Paraíso é esta em que navegais.

ANJO
Esta é; que demandais?

FIDALGA
Que me leixeis embarcar. Sou fidalga, é bem que me recolheis.

ANJO
Essoutra vai mais vazia.

DIABO
À barca, à barca, senhores! À barca!

DIABO
Embarque vossa doçura, que chegando ao nosso cais todos bem vos serviremos.

VOZ OFF
Lisboa ama o teatro. O Maria Matos reabriu.

Publicado por renaseveados em abril 28, 2006 04:15 AM |
Publicidade

Comentários

É um anúncio muito inteligente, sem dúvida!

Afixado por: André em abril 28, 2006 09:55 AM

Que tem a ver o gil Vicente com a porcaria que eatá no maria Matos? Isso revela uma ignorância cretina

Afixado por: Ysaak em abril 28, 2006 03:04 PM

Ignorância é o seu comentário, Ysaak. O anúncio é um anúncio institucional ao Maria Matos enquanto Teatro. É isso que é publicitado. O Teatro Maria Matos REABRIU. O Laramie é uma das peças que pode lá ver. O Gil Vicente é um símbolo teatral ao qual se recorre para promover uma instituição.
BURRO!

Afixado por: André em abril 28, 2006 03:13 PM

A peça "Laramie" é linda. vejam vejam vejam.

*oh yeah*

Afixado por: Orestes em abril 29, 2006 01:40 AM

o anuncio esta realmente bom. Ysaac, foi um comentario triste

Afixado por: maqe em abril 30, 2006 07:50 PM

Normalmente mantenho-me fora destas discussões. Mas o comentário de Ysaac como alvo (ou opinião a abater)constante, dá-me a volta à cabeça.
1º É obvio que Ysaac tem razão quando diz o que tem a ver "gil Vicente com a porcaria que está" no teatro. Bourdieu, Arendt, Castoriadis (etc,etc, etc) andam à 20/30/40 anos a repetir um discurso que ainda não se inscreveu nas nossas cabeças. É necessário acabar com a mediocridade e com o simulacro. Fazer de conta que, passar por. Atirar areia para os olhos.
2º Gil Vicente não é sinónimo de teatro. É parte dele. Teatro (e isto é uma questão complexa, mas muito compreensível no texto "Ideia de teatro" de Ortega y Gasset, ou involuntariamente nos escritos de Debord) não é uma técnica. É uma relação. Só pessoas que odeiam profundamente o teatro é que podem dizer que Teatro=Gil Vicente. Gil Vicente não pode ser hino do teatro. Teatro=Teatro.

É caso para dizer a todos, excepto Ysaac, vão ler. Sejam cultos. Nunca ceder à mediocridade pode ser um caminho para a felicidade rizomática.

Afixado por: F. F. em maio 1, 2006 10:34 AM

sim, de facto teatro=teatro.
mas, caro F.F. , considera-se a grosso modo que gil vicente é o pai do teatro portugues, do teatro popular, facil e acessivel. logo é normal que a campanha publicitaria do teatro maria matos use uma adaptaçao de um dos autos de gil vicente para atrair publico. principalmente o publico mais jovem , que esta bem familiarizado com gil vicente.
o que é te todo idiota é fazer juizoz pseudo intelectuais sobre peças patentes....

Afixado por: maqe em maio 1, 2006 10:55 AM

F.F., suponho que onde escreveu "à 20/30/40 anos", queria escrever "há". De resto dispensa-se a arrogância costumeira que apenas afasta as pessoas do teatro, não é apenas contraproducente, é estúpido mesmo.

E viva o Gil Vicente! Que conseguiu efectivamente valorizar o teatro, ajudar a mudar a sociedade via teatro. Alguém consegue isso hoje?

Afixado por: Boss em maio 1, 2006 03:13 PM

Caro f.f, lamento que com o seu discurso referencial não tenha entendido um simples anúncio de televisão.

Afixado por: André em maio 1, 2006 05:08 PM

1º O teatro de Gil Vicente não é nem nunca foi popular.
2º Gil Vicente é um génio da historia do teatro europeu
3º Ha muita maneira de fazer possibilidade sem, por ignorância ou por arrogância saloia, querer desprestigiar os genios do teatro universal, para valorizar umas merdinhas que ofendem quem tem dois dedos de tesa e que daqui a 10 anos já não se sabe que existiram
4º Que direito há de se utilizarem esse tipo de coisas (ha muitos outros exemplos) para promoção publicitaria?
5º Sera que ao Diogo Infante já passou pela cabeça fazer peças de Gil Vicente, como se têm feito por exemplo no teatro da Cornucópia, revisitadas, relidas, belissimamente apresentadas e representadas? Claro que não é capaz... para ele G.V. é coisa morta, para uso publicitario

Afixado por: ysaak em maio 1, 2006 07:08 PM

Ysaak, cada vez te enterras mais. Passas de um deslise de compreensão a um claro ódio de estimação.

Afixado por: André em maio 1, 2006 10:03 PM

Boss, várias renas d'além-mar penhoradamente agradeceram as legendas e expressaram seu imenso deleite com o clip. A adaptação é simplesmente ótima.

Afixado por: Bruno em maio 2, 2006 12:07 AM

Dear Maque: Não estava a fazer juizo algum sobre o espectáculo em cena, mas sobre o spot publicitário.

Dear Boss: Não vou entrar nessa de João Pedro George. Como não estou preocupado com todos os sinais linguisticos possíveis, dou-me ao luxo do poder errar. (Sim escrever num blog, é uma passagem e não um objectivo de vida). + Não estou a atacar Gil Vicente, como disse anteriormente, mas sim o blog. Mas se quiser falar sobre Gil Vicente, poderemos ter uma grande discussão sobre se o que ele escreveu era teatro ou não. + A arte não tem de mudar a sociedade. As ligas é que têm de mudar a sociedade. Sobre isto recomendo mts textos de Ana Hatherly.

Dear André: Entendo entendo. O(s) senhore(s) é que não me querem entender. Como está tudo envolvido numa aura gay, é desculpável. Pois quanto a mim, sou contra o mediano (qualidade de estar colocado no meio) e sou contra a visibilidade (luta pela diferença) dos movimentos gays. Os problemas só cessarão quando forem invisiveis (indiferente). + Só expressa ódio quem possui uma dialéctica pulsional (quem não é mediano.

Dear Bruno: Por detrás de um rei, há sempre uma corte.

Gostava de esclarecer que eu não sou diferente, porque nos discursos parece que eu sou fascista/mau portugues/mau gay/intelectual (whateverthatis)/burro/etc e eu aguento isto tudo bem, podendo-me servir destas como caracteristicas pulsionais para sobressair de um colectivo amalgamado (há muito tempo) pelos meios mass-mediáticos formatadores (num sentido depreciativo quero eu dizer, porque bem poderia ser o contrário). Dizia eu que EU NÃO SOU DIFERENTE, VOCÊS É QUE SÃO TODOS IGUAIS.

Afixado por: FF em maio 3, 2006 11:22 AM

F. F. : tanta conversa...

Afixado por: André em maio 3, 2006 02:13 PM

credo que drama queen.. ouch!

Afixado por: Boss em maio 4, 2006 03:19 AM

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