Corre por aí um boato de que nos EUA terá havido 4 mortes relacionadas com o uso da RU 486, a pílula abortiva. A confirmar-se não será a primeira vez que um medicamento usado a nível mundial, e legalizado em vários países com o que isso implica de burocracias e procedimentos de segurança realizados por "n" instituições farmacêuticas, se revela perigoso quando usado em determinadas circunstâncias. Já vimos este filme antes, e o conselho quando surgem este tipo de boatos é usar o medicamento só em caso de absoluta necessidade e aguardar informações mais credíveis.
Ora do boato específico relativamente à RU 486, a SIC constrói uma reportagem, perdão, um anúncio de propaganda alarmista pró-vida, tendo como principal alvo as Women on Waves. Quem viu a reportagem diria que as activistas holandesas dirigiram-se a Portugal no ano passado com a intenção premeditada de matar umas quantas portuguesas. Quem viu a reportagem julgará que a pílula só é legal a bordo do Borndiep (que conhecerá apenas como "barco do aborto"), quando o é em quase toda a Europa. Quem viu a reportagem nem terá percebido que o que a Dra. Rebecca Gomperts explicou aos espectadores da SIC precisamente, não foi o uso da RU 486, mas o uso de medicamentos legalizados em Portugal e que têm o mesmo princípio activo. Curiosamente a segurança destes medicamentos não foi posta em causa... Não haveria porquê sequer referir as Women on Waves. Informação assim não informa ninguém, apenas baralha e alarma, enfim, é uma sickness!
Boss
Publicado por renaseveados em agosto 30, 2005 09:12 PM | TrackBack |Com 1 a 4 mortes para cerca de 400,000 utilizações não é preciso ser um cientista da NASA para perceber que mesmo assim é mais seguro (estatisticamente falando) fazer um aborto assim do que continuar com a gravidez.
Segundo a UNICEF afirma que 12 mulheres morrem em cada 100'000 situações de gravidez nos paises ditos "industrializados".
http://www.childinfo.org/eddb/mat_mortal/
Isto é que não lhes passava pela cabeça de certeza...
Afixado por: João Paulo (PortugalGay.PT) em agosto 31, 2005 12:21 AMÉ tudo uma questão de números. Mais uma vida, menos uma vida. Quem se interessa por isso!? Humanistas da merda!!!
Afixado por: da maioria- Hetero em agosto 31, 2005 01:05 AMExacto João Paulo, bem apanhado. Além de que o tal artigo referido pela SIC apenas consegue estabeler uma relação indirecta (e questionável) entre a pílula e três dos casos mortais (pela infecção bacteriana). Note-se que a infecção tb pode acontecer sem o uso deste medicamento, pelo que mais estudos são necessários para comprovar a relação..
O JN segue a bitola da SIC referindo a despropósito as Women on Waves. E o press-release do artigo pode ser lido aqui.
Outros cientistas dizem:
"It has been FDA-approved at a significant delay from many other Western nations because of the politics involved. That said, it was approved because it's incredibly safe, it's effective and has a very low risk of adverse events," said Dr. Deborah Nucatola (search) of the University of Southern California medical school.
Convém ainda perceber que este artigo "surge" precisamente a meio de um acalorado debate que decorre nos EUA sobre a forma como a receita deste medicamento deve ou não ser facultada. E os supostos casos de mortes têm sido lançados para a arena mediática quase que exclusivamente por "christian networks". Uma busca no Google News mostra isso mesmo.
Afixado por: Boss em agosto 31, 2005 02:02 AMquanto ao arroto do sr. da maioria, se você se preocupasse com a saúde das mulheres que abortam tb ficaria preocupado com a forma alarmista com que estas notícias têm sido lançadas, é que a RU 486 tem sido sempre considerada uma das formas mais seguras de abortar. Isto não é de ontem, é há anos e em quase todos os países industrializados. O sr devia era preocupar-se com o humanismo por trás daqueles que estão a atacar este método seguro, empurrando as mulheres para alternativas bem mais arriscadas. Não tem vergonha de viver num dos países ensanguentados? Pois eu tenho, e muita!
Afixado por: Boss em agosto 31, 2005 02:15 AMDEVIAS TER MAIS VERGONHA DO QUE DIZES.
Gosto dessa tua compaixão parola, incapaz de gerar alternativas para que o aborto fosse a última das opções. Mas já vi que és dos gajos que passam a vida a falar de humanidade e nem sequer deves conhecer o vizinho do lado.