março 07, 2005

Dia Internacional da Mulher

É amanhã. Proposto por Clara Zetkin na 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhaga, em 1910, este dia 8 de Março tem sido progressivamente esvaziado do seu significado político e histórico. É o dia em que se oferecem rosas às mulheres para celebrar a sua condição.

No princípio do século, a mão de obra feminina em determinadas ocupações cresceu. Nomeadamente no sector têxtil. Mantendo contudo o mesmo padrão de segregação salarial, assente no sexo, e mesmo ao nível do fragilidade da contratação. Sabe-se que estas mulheres eram uma mão de obra descartável a ser usada a bel prazer do patronato.

Com a emergência do movimento sindical e a introdução de questões como os direitos dos trabalhadores e a pressão das greves, os operários começaram a conseguir determinadas conquistas. Já as mulheres operárias permaneciam excluídas desses direitos e até mesmo da própria condição de operária. Mesmo no seio do movimento operário, as mulheres eram vistas como uma ameaça e não como pares. Ameaça porque trabalhavam mais com menos salário e porque de um ponto de vista político, eram tidas como mais propensas a influência de forças conservadoras como a religião (razão pela qual se argumentava a interdição do direito ao voto). As feministas socialistas americanas começaram em 1908 a mobilizar operárias pela melhoria das condições de trabalho e pelo aumento dos salários. Clamava-se por Pão (melhoria nos salários) e por Rosas (melhoria na qualidade de vida).

Em 1909, as grevistas chegavam a vários milhares, exigindo estas reivindicações. Estabeleceu-se com Zetkin, o carácter internacional do dia e começou a ser celebrado com marchas e manifestações.

Em 1911, com o incêndio conhecido como Triangle Fire numa fábrica de Nova Iorque, em que 140 mulheres perdem a vida graças às más condições de trabalho, o dia ganhou outro significado, porque se perceberam os riscos a que estas mulheres estavam expostas. Em 1913, Alexandra Kollontai justifica as razões para a existência desta efeméride. Em 1917, novo marco histórico: na Rússia, em resultado da guerra e dos que morreram, inicia-se uma greve no 8 de Março, que faz cair o Czar e é um dos primeiros passos da Revolução de Fevereiro.

Alexandra Kollontai consegue mesmo que Lenine reconheça este dia como um feriado.

Nos anos 60, e no feminismo de segunda vaga, este dia é marcado por manifestações que pedem Salário Igual para Trabalho Igual, reconhecimento da igualdade, acesso à educação, contraceptivos gratuitos e descriminalização do aborto a pedido da mulher. Que Zetkin e Kollontai já reivindicavam no princípio do século.

Em 1977, a ONU reconhece este dia como o Dia Internacional dos Direitos das Mulheres e da Paz Internacional.

João O

Publicado por renaseveados em março 7, 2005 06:05 PM |
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Comentários

Inda bem que há um dia em que algumas de nós recebem rosas - é que a maioria, nos outros trezentos e sessenta e quatro, só tem direito aos espinhos. Pena que o dia de hoje seja ainda, muito, o Dia Internacional do Folclore e da Hipocrisia. Vale, sobretudo, pela comemoração da coragem das mulheres do princípio do século passado.

Afixado por: Vi em março 8, 2005 11:07 PM

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