novembro 23, 2004

E a artista do dia é:

Vanessa Beecroft! Que se pode dizer de uma artista que usa o corpo das outras como matéria prima das suas performances? Exibindo mulheres nuas (excepto nalgumas performances especiais) numa performance, que consiste em manter as pessoas de pé, sem poderem falar, nem interagir com o público, Beecroft obtem o efeito, de que já Foucault falava, dos corpos dóceis. Corpos que se dispoem à vontade criadora da artista, que os instrui nesta coreografia sem movimento, atribuindo posições, modos de se comportar, limites e constrangimentos à sua liberdade. Aparentemente Vanessa Beecroft retira-lhes toda a agencialidade e autonomia, e no caso da maioria das suas performances, consegue arranjar modelos muito parecidas entre si, reduzindo ao máximo a as diferenças entre as pessoas. Contudo, parecem ao mesmo tempo, resistir, exercer um poder contraditório sobre o espectador que chega ao local da performance e encontra uma série de mulheres nuas, que olham em frente, calçadas apenas com sapatos Gucci ou Manolo Blanhik, sem mas nada em cima. A maioria dos mortais acede a esta experiência apenas por fotografia (como eu), o que reduz imenso o impacto da perfomance. Fiquem com a Vanessa e tenham um bom dia!


vb47, 2001


vb43, 2000


vb 51, 2002

João O

Publicado por renaseveados em novembro 23, 2004 01:04 AM |
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Comentários

Ò João, não foste à Fil, à Arte Lisboa?

Estava lá um magnífico "retro-viral" Gilbert and George e à frente uma das fantásticas bolas:) do Isaque Pinheiro (a procurar no Maus Hábitos, no Porto, na Rua Passos Manuel), que eu desconhecia mas que elejo desde já como o artista queer do ano em Portugal (um gozo total!)!

Afixado por: Anabela Rocha em novembro 23, 2004 10:28 AM

Adorei o site!

Afixado por: Truta Vermelha em novembro 23, 2004 11:02 AM

gostei sobretudo da vb47, o pormenor (ou talvez não) de um Magritte (ou de um wanna be) ao fundo da sala...a representação, a representação...

ah, e se eu tivesse uns sapatos Gucci, também andava assim...

Afixado por: Susana Batel em novembro 23, 2004 12:21 PM

João,

tenho uma novidade-bomba para te dar. Vai ao Panascas e depois diz-me qq coisa. Afinal, ficou combinado levar-te a montar uma certa Sela, lembraste? *risos*

Bejos.

Afixado por: Panasca-Mor em novembro 23, 2004 02:20 PM

Pq os sapatos têm de ser da Gucci? Não bastava da Teresinha?

Afixado por: silpheed em novembro 23, 2004 03:19 PM

Que efeito estranho [mesmo vendo só as fotos]... Os corpos parecem reduzidos à sua estrutura, aos componentes. Numa das fotos lembram[-me] andróides desligados. Estamos habituados à glorificação do corpo pelo seu valor simbólico, exaltando a sua individualidade. Aqui parece acontecer algo num sentido contrário. São os elementos comuns que sobressaem, reduzindo/elevando cada corpo a um átomo quase indiferenciado do conjunto.

Afixado por: troblogdita em novembro 23, 2004 05:15 PM

Tenho que fazer dois comentários distintos. O 1º, Anabela, queErida, olha não fui... ando um bocado zangado com feiras de arte, também por falta de €. E ainda não conheço o Isaque. Temos que combinar um café... ;

Susanovsky, darling, mal possa compro-te uns Manolo Blanhik para andares assim you know where... A Ala Autónoma ficava chocada... lolol... but that could be nice, wouldn't it?

OK...isto era mais ou menos semi-público, a remeter-vos para o post sobre Mlle. Calle, que estou certo ambas acharão graça.

No comment seguinte, versão séria...

Afixado por: João O em novembro 24, 2004 02:30 AM

Olá Bruno, não sei até que ponto se reduz a essa total homogeneidade. É que a Beecroft mantem ao mesmo tempo alguns traços -ainda que mínimos- de diferença. Parece-me que o jogo é entre diferença e homogeneidade, não caindo apenas num dos pólos. O que me parece ainda mais interessante.

Nem sei se há intencionalidade nisto, ou se estamos apenas a querer ver significados, dentro da polissemia da obra...

As for mr. Silpheed, o modo como a Beecroft prepara as performaces é muito inspirado na moda. E os Gucci e os sempre fabulosos, mais que não seja pela sonoridade do nome, Manolo Blanhik, também parecem ser uns links que ela cria para esse universo... E pode alguiém ficar poderosa com uns Teresinha "Couture"?

Afixado por: João O em novembro 24, 2004 02:37 AM

Susanovski, mais um remark...

a problematização com a representação é que jánão me parece tão clara. Tomamos as meninas individualmente, per se, ou como representantes de um grupo? É que os corpos tão podem ser lidos como representações de... Não sei, não sei, com Miss Vanessa Beecroft nunca tive certezas....

Afixado por: João O em novembro 24, 2004 02:41 AM

A VANESSA É GRANDE!!!!!
Amo ela!

Afixado por: André em novembro 24, 2004 01:01 PM

«E pode alguiém ficar poderosa com uns Teresinha "Couture"?» Ou se é poderosa ou não se é poderosa, a marca ou mesmo os sapatos são meras superficialidades.. Mas e daí, não será a superficialidade (da obra, análise, observação etc) que faz destes artistas que tens referido "grandes"?

Afixado por: Boss em novembro 24, 2004 09:56 PM

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