As compressões de César (1961): Usando um carro comprimido, completamente esmagado por um compressor, César (Baldaccini) questiona a essencialização do objecto artístico, trazendo para os espaços rarefeitos das torres de ébano dos museus e das galerias, aquilo a que noutro contexto, poderiamos designar de sucata. A opção por materiais não utilizados habitualmente para o contexto artístico ilustra outra das características que viriam a definir o espaço conceptual da arte contemporânea.

Outro dos autores de charneira entre arte moderna e contemporânea (o criterio usado situa-a a arte contemporânea nas fase final da Pop Art, critério também mítico e assente numa concepção relativamente evolucionista e historicizante da arte) é Joseph Beuys, que usou uma série de materiais não convencionais nas suas obras, recusando a linguagem pictórica, que atribuia primazia à pintura e escultura. E se César comprimiu um carro para o transformar em objecto de arte, Beyus traz o carro para o museu (F.I.U. Difesa Della Natura, 1983-85).

João O
Publicado por renaseveados em novembro 19, 2004 09:33 AM |E que tal uma visitinha ao
Museu Vostell Malpartida, aqui tão pertinho ?
Eu deveria ter enunciado critérios para estes posts... bem, vou ser completamente subjectivo e cruzar info que tenha disponível de forma rápida com coisas de que gosto. Poderá haver critério menos legitimante?
Anyway, a discussão é para os leitores. Deixo-lhes essa apetitosa e suculenta tarefa de se exprimirem...
Afixado por: João O em novembro 19, 2004 11:18 AMCá para mim Beyus não tinha lugar fora do museu para estacionar! :/
Para mim isto não é arte. Mas aceito que alguém lhe chame tal.
Afixado por: Zoick em novembro 19, 2004 02:05 PMeu só vinha aqui falar também do Museu Volf Wostell, em Malpartida, mas alguém já o fez... É excelente. Lembrei-me dele a própósito dos automóveis integrando obras de arte. E a própósito do Beuys também.
Afixado por: Rui em novembro 19, 2004 03:18 PMOh não!!! Não estavas a brincar quando disseste que ias fazer posts sucateiro-artísticos pois não?
Recomendo uma museu ao ar livre às portas da cidade de Braga, é imenso.. são às centenas as obras iguais às fotografadas. Excelente portanto?
Afixado por: Boss em novembro 19, 2004 03:51 PMMas já agora, Boss, quais são os critérios que usas para determinar que isto é ou não arte? Torna explícitos...
Afixado por: João O em novembro 19, 2004 05:23 PMPois é uma simples, quando uma obra é facilmente confundível com um carro esmagado na sucata (se calhar por ser precisamente um carro esmagado na sucata), isso parece-me tão artístico como, sei lá, um carro esmagado na sucata.
O ter sido esmagado a mando de um artista, ou estar não numa sucata, mas numa galeria de arte não me parece que chegeu. Como te disse já, uma obra de arte deve valer sobretudo por si própria e não pelo nome de quem a fez, ou pelo local onde está localizada..
Eu já vi entulho exposto como arte em galerias, e já vi entulho em galerias em obras, qual seria o entulho mais artístico?
Todos os entulhos são obras de arte!
O Olhar que se exerce sobre sobre eles é que os modifica, para além dos interesses económicos e toda uma pafernália de motivações que têm tudo menos que ver com Arte!
Se calhar o que o Boss quer dizer e' que nem toda a arte se apropria aqui...zzzzz
Afixado por: Opinioes em novembro 20, 2004 02:19 AMse todos os entulhos são obras de arte, abaixo os artistas, vivam os observadores!
Afixado por: silpheed em novembro 20, 2004 10:18 PMVivam os observadores!
Nota: Os artistas possuem (ou devem possuir) essa magnífica característica da observação. Geralmente... veêm mais antes e nelhor do que os demais!... ;)
Afixado por: ez em novembro 21, 2004 06:02 PM