novembro 16, 2004

Casai-vos uns/umas com @s outr@s!

Um dos maiores impedimentos à legalização do casamento homossexual é a ideia de "pecado" que ele implica tanto à Direita como à Esquerda. Para a Direita o casamento, mesmo que civil, está coberto por um manto de religiosidade que urge respeitar (e a Constituição que se dane!), e para a Esquerda há um certo "reaccionarismo" associado à instituição com que não se quer compactuar. É este preconceito de Esquerda que urge desmistificar, já que tão cedo não deixará de ser beata a nossa Direita de sacristia...

O casamento é antes de qualquer outra coisa um contrato, um contrato que oferece regalias e direitos aos seus signatários. Desde benefícios fiscais a visitas hospitalares, muitas são as vantagens de se estar casado. Algumas não são vantagens legais, não pelo menos da lei escrita que nos rege, mas da "lei do senso comum" e do "hábito", e por isso valem também para casais heterossexuais não casados, refiro-me a descontos em viagens, participação em concursos televisivos ou direito a passear de braço dado sem se ser insultado por isso, por exemplo. Tudo isto está muitas vezes vedado a casais homossexuais, alterar a lei do casamento civil alargando-a aos casais homossexuais pode também nestes casos ter um forte impacto positivo.

Este alargamento legal é assim uma ruptura com o passado. A verificar-se, a noção de religiosidade associada ao casamento civil perde-se simplesmente - este é de resto o grande temor da ICAR, a perda de influência na sociedade que vem por arrasto com o casamento homossexual. Seria mais inteligente usar a táctica anglicana de começar desde já a benzer uniões homossexuais, conseguindo assim manter uma certa áurea religiosa na instituição. Mas como já referimos aqui, essas bençãos anglicanas são para a ICAR suficientes para travar a reaproximação entre católicos e anglicanos.

Perdida que está a noção religiosa fica mais claro perceber o que é realmente o casamento, um contrato, e um contrato que implica entre outras coisas, fidelidade. Depois da religiosidade da coisa, é a fidelidade que ajuda à ideia de "casamento, instituição retrógrada". Mas olhemos para o contrato, quem assina? Os noivos e o Estado. A quem interessa a fidelidade? Quem a avalia, vigia, respeita? Os noivos, sempre os noivos. Ao Estado a "fidelidade" só interessa quando tem que julgar um divórcio. Assim, estando a fidelidade no contrato a três (noivos e Estado), pode ser perfeita e completamente renegociada a dois, a quem interessa de facto, depois de assinado o primeiro contrato (aliás, de preferência antes).

Achas que o sexo é só sexo, e podes tê-lo na boa com outras pessoas para além da que faz par contigo? Se a outra aceita qual é então o impedimento de te casares? Qual é o senão, se é essa pessoa com quem idealizas terminar os teus dias? Casamento coisa de reaças? É-o hoje, não o será muito em breve: CASAMENTO PARA TOD@S, TOD@S A CASAR!

Boss

Publicado por renaseveados em novembro 16, 2004 03:05 AM |
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Comentários

Depois ainda dizem que os gays querem atacar o casamento. Já viram defesa mais acérrima do casamento que a do renas? LOL :)

Afixado por: Boss em novembro 16, 2004 04:09 AM

boss,

só um aparte de somenos importância: o casamento não traz benefícios fiscais... aliás há alguns casos de casais que se divorciam pelo civil e continuam a viver como casados....
um dos muitos exemplos: vê quanto é que era permitido colocar na CPHabitação para um casal e vê que se fossem duas pessoas podiam colocar o dobro....e se este beneficio vaio desaparecer há outras coisas como a pensão de alimentos, etc... etc...

Afixado por: cparis em novembro 16, 2004 11:55 AM

Tem razão cparis, actualmente e em Portugal assim parece ser.. mas aqui tb anda tudo trocado, na maior parte dos países, segundo sei, dá benefícios..


Mas essa questão é de facto pertinente, as tais associações que "protegem a família" deviam preocupar-se mais em pressionar o governo em fazer do casamento um contrato mais atractivo, em vez de tentar mantê-lo um contrato exclusivo ;)

Afixado por: Boss em novembro 16, 2004 12:43 PM

Se querem casar pelos beneficios fiscais pensem duas vezes pois na grande maioria dos casos os casais que casam se tiverem rendimentos de classe média , passam a pagar mais do que se fossem solteiros. As vantagens são mais a nivel patrimonial em caso de divorcio ou pela morte de um dos conjuges e tambem por doença.Só por estes já vale apena lutarmos pela igualdade de tratamento em termos de liberdades direitos e garantias a que o estado está obrigado.

Afixado por: prata em novembro 16, 2004 02:55 PM

a que chamas tu casamento? é preciso saber isso..

por outro lado, se achas que te 'casando' serás menos apontado na rua quando andas de mão dada com outro homem que não num país muçulmano, acho que és bem ingénuo.. ou pensas que podes mudar a mentalidade biológica de milhares de anos por decreto? ;)

Afixado por: Alexandre Monteiro em novembro 16, 2004 06:09 PM

Alexandre Monteiro fica sempre bem ler os posts antes de os comentar ;) Contrato, contrato, contrato! Fartei-me de o repetir...

«or outro lado, se achas que te 'casando' serás menos apontado na rua quando andas de mão dada com outro homem que não num país muçulmano, acho que és bem ingénuo..» disse isso onde? Ler os posts antes de os comentar Alexandre, regra básica ;) o que escrevi foi: alterar a lei do casamento civil alargando-a aos casais homossexuais pode também nestes casos ter um forte impacto positivo.

Já a alternativa "cruzar os braços" deve ser muito eficaz não? ...

Afixado por: Boss em novembro 16, 2004 06:56 PM

Além de todos os beneficios económicos (ou não tantos no caso Português) que garante, há também uma outra prespectiva que favorece o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo: os beneficios económicos que trás AO ESTADO.
Esse é o caso da Califórnia, e a base legal da proposta de lei que foi recentemente introduzida na legislatura do estado "AB 1967 -- The Marriage License Non-Discrimination Act".

Same-Sex 'Marriage' Called A Fiscal Boon for California
By Susan Jones
CNSNews.com Morning Editor
May 12, 2004
http://www.cnsnews.com/ViewCulture.asp?Page=%5CCulture%5Carchive%5C200405%5CCUL20040512a.html

Afixado por: Miguel Santos em novembro 16, 2004 09:20 PM

essa do contrato, já ando eu com ela no blog há dias. resta saber sobre quem poderão ser os contratantes, ou seja, quais as condições para que eu possa celebrar esse contrato com outra pessoa: preciso ter relações sexuais com ela? preciso ser homem e a outra do sexo oposto? posso casar com um amigo? com um colega? com um sem abrigo? define-me lá isso dos contratantes, por favor.

"alterar a lei do casamento civil alargando-a aos casais homossexuais pode também nestes casos ter um forte impacto positivo". a tua opinião é a de que pode. a minha é a de que não poderá, pelo menos tão cedo... mas não custa tentar.

o problema, sabes qual é, na minha opinião? é confundir-se casamento com matrimónio com contrato de união... se falasses no terceiro termo, verias que não se levantariam tantos anticorpos.

Afixado por: alexandre em novembro 18, 2004 12:56 AM

Pois Alexandre, mas se eu sinto que uma hipotética relação minha homossexual não é em nada menor que uma qualquer relação hetero, porquê sujeitar-me a que tenha um nome diferente aos olhos do estado? Não são as pessoas todas iguais aos olhos da lei? Para quê dar nomes diferentes a uniões entre duas pessoas só por causa dos seus sexos?

Quanto ao "pode ter um forte impacto positivo", pois claro que pode, e terá, o que não significa que acabe com os problemas, mas é um passo vital, entre muitos outros.. sem igualdade na lei é que não haverá certamente igualdade na prática.

Afixado por: Boss em novembro 18, 2004 03:40 AM

"Para quê dar nomes diferentes a uniões entre duas pessoas"

queres dizer que aceitas então o casamento entre primos, amigos e vizinhos? onde desenhas tu o limite?

ainda não me definiste as condições que levam a que duas pessoas possam, legalmente, poder assinar esse contrato...

Afixado por: alexandre em novembro 18, 2004 09:02 AM

Entre adultos que se amem, e que planeiem uma vida a dois. ;) Como até aqui, mas sem limitações de género.

Afixado por: Boss em novembro 19, 2004 01:15 AM

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