outubro 27, 2004

Crime em Lisboa

Terça-feira, dia 2 de Novembro, pelas 14:00 horas (thanks Paulo), nos Juízos Criminais (Rua Pinheiro Chagas) em Lisboa, mais uma mulher vai a julgamento por aborto.

Não fosse este facto já absurdo e completamente lesivo dos direitos mais básicos e elementares desta mulher, ela ainda por cima foi denunciada por um enfermeiro depois de ter dado entrada na urgência do Hospital Amadora-Sintra. O que ainda enoja muito mais. Mais um processo completamente persecutório, assente no nojento princípio da delação. Mas que é motivado por factores estruturais e políticos. Da existência de uma lei, que faz do Estado o maior criminoso.

E que tal tod@s lá à porta? A mostrar a indignação, o repúdio e o nojo por esta situação, permitida legalmente?

Pagan

Publicado por renaseveados em outubro 27, 2004 11:42 AM |
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Comentários

excelente ideia! eu ofereço-me

Afixado por: bagdade em outubro 27, 2004 03:12 PM

Eu estou disponível! Mais alguém alinha?!...

Afixado por: sara cacao em outubro 27, 2004 03:54 PM

olhem lá... uma novidade o julgamento foi adiado para dia 2, pelas 14 horas!

Afixado por: paulo jorge vieira em outubro 27, 2004 05:23 PM

continuo disponível

Afixado por: bagdade em outubro 27, 2004 05:54 PM

Obrigado pela informação Paulo ;)

Afixado por: Boss em outubro 27, 2004 06:03 PM

Disponibilidade total!...

Afixado por: sara cacao em outubro 27, 2004 07:26 PM

Vou fazer tudo para estar presente. Esse enfermeiro nem tem nome. Que nojo.

Afixado por: Manel da Truta em outubro 27, 2004 11:53 PM

Vou tentar ir!!

Afixado por: Truta Vermelha em outubro 27, 2004 11:53 PM

Alguém sabe porque foi alterada a data? Não será para o julgamento ser abafado pela avalanche de informação sobre as eleições americanas, que são nesse dia?

Afixado por: Boss em outubro 28, 2004 07:18 PM

Com todo o respeito que a causa da paridade entre homossexuais e heterossexuais merece, não posso deixar de me insurgir contra as sistemáticas tentativas de naturalização da prática do aborto.

Deixo aqui as palavras que constam do meu Profile pessoal no meu Blog sobre o assunto, para que quem queira, providenciando ter abertura e honestidade intelectual para considerar o assunto, entenda ser profícuo fazê-lo:

SOU CONTRA:

1 - O aborto, quer como ideia quer como prática.

- Considero que o aborto é um torto e não um direito.
- Considero-o uma prática desumana e basicamente da mesma natureza que o Homicídio.
Não considero menos do que arbitrária a condição para se ser considerado pessoa, de se ter de ter saído completamente de dentro da barriga da mãe. Sem qualquer pudor, coloco-me do lado daquilo que chamo as verdadeiras vítimas da burocracia ideológica - As pessoas não nascidas!
- É minha convicção que o estatuto de pessoa humana deve ser conferido àquilo que se quer abortar. À falta de melhor termo, chamar-lhe-ei pessoa não-nascida.
- Considero a ideia de que o aborto seja um Crime sem vítima (victimless crime) uma aberração de raciocínio, e considero que quem pretenda que, existindo vítima, a vítima maior dessa prática seja a mulher que aborta e não o ser que se vê privado de vida está absolutamente errado.
- Não considero de todo o feto como um prolongamento do corpo da mulher, destituído de individualidade, antes defendo que seja conferido ao feto, quanto antes, o estatuto de indivíduo humano por-nascer.
- Considero que num caso de conflito de direitos ou de interesses entre mãe e filho, e levando a questão da propriedade corporal da mãe ao extremo da lógica, o valor maior da VIDA sempre deve ser privilegiado relativamente ao da PROPRIEDADE. Daí que entre a protecção legal ao exercício de propriedade da mulher sobre algo que diz lhe pertencer (o feto como parte não-individualizada do seu corpo) e a protecção legal do direito à VIDA do feto humano, privilegio de longe esta segunda opção.
- Considero portanto que deve ser mantida a proibição desta prática que promove a morte e não a vida, a subversão do espírito do Homem na Lei e na sociedade, e que se vê absolutamente obsoleta à partida, na medida em que existe a opção de entregar a criança para adopção, essa sim, a OPÇÃO pela qual é justo lutar.
Opção essa que é uma realidade implantada, e que deve ser tornada cada vez mais fácil, através de medidas concretas que tornem os processos mais céleres e as condições de elegibilidade mais abrangentes. Passos se deram e continuam a a dar nesse sentido.


Texto integral em

http://dakshinamurti.tripod.com/sabonetemoral

De salientar também que considero grave a acusação ad hominem de hipocrisia de quem não partilha das nossas sensibilidades ou insensibilidades. Existem razões fortes para se queer manter o aborto como crime, razões que nada têm que ver com interesses (interesseiros) indefensáveis, mas razões honestas e informadas. Por muito que valorizemos as razões de um dos lados (concedo que a causa Pro-choice tem no que se apoiar também), acho muito mais hipócrita a atitude de quem quer catalogar de hipócrita quem pensa diferente, por mais razões que tenha, do que a mera defesa de qualquer posição errada.

Obrigado, saudações

Afixado por: MS em outubro 29, 2004 06:29 PM

Caro MS uma nota apenas, quando diz «Com todo o respeito que a causa da paridade entre homossexuais e heterossexuais merece, não posso deixar de me insurgir contra as sistemáticas tentativas de naturalização da prática do aborto.» obriga-me a perguntar, que têm os alhos a ver com os bogalhos?

Afixado por: Boss em outubro 30, 2004 03:45 PM

Eu compreendo isso tudo, MS. Fica-me só uma duvidazinha: qual é o papel da mulher no meio disso tudo? É que, em tantas palavras, não está propriamente abordada a posição da pessoa que vai ter de carregar no ventre durante nove meses um conjunto de células que, algures entre as doze e as vinte e quatro semanas, começa a deixar de ser um aglomerado de células e vai criando um sistema nervoso central. Em que é que o eventual estatuto jurídico da "pessoa não nascida" - conceito que é apenas subsidiário das fés e dos princípios subjectivos de cada um - é prioritário face ao livre arbítrio de uma cidadã de pleno direito sobre o seu próprio corpo? Ou o estatuto jurídico da cidadã do sexo feminino não interessa para o caso?

Afixado por: Manel da Truta em novembro 1, 2004 10:52 AM


"Em que é que o eventual estatuto jurídico da "pessoa não nascida" - conceito que é apenas subsidiário das fés e dos princípios subjectivos de cada um" - palavras de Manel da Truta

- Considero completamente errada a convicção de que a defesa da total pertinência e exigência axiológica desse conceito seja apenas subsidiária de fés ou princípios subjectivos, de facto, todo o raciocínio que tentei veicular ia no sentido de ser uma conclusão objectiva e baseada na ciência. Acho que o real problema aqui é que um lado vê apenas uma colónia celular e não um ser humano viável e essencialmente igual a qualquer outro. Considero no entanto que o que fiz é um cúmulo de todo um esforço investigativo e reflexivo, e portanto perfaz mais enunciação de conclusões do que fornece todo o raciocínio subjacente.

No entanto é bom identificar as causas do equívoco

- Ninguém concede que a posição pela vida seja baseada em fés religiosas ou em princípios subjectivos solipsistas.

-Ninguém concede que o que está dentro do útero seja parte integrante da mãe (até porque, se não houvesse mais em que nos apoiarmos, é fruto da junção de uma parte da mãe e duma parte do pai, e seria indefensável que a parte do pai pertence à mãe; para não falar do facto que esse ser apenas se adoca às paredes uterinas a partir do quinto dia) A menos que se considere que um parasita que se me adoque fica a ser parte de mim, também não vejo como possa ser defendido que o ser em desenvolvimento que se adoque às paredes da mãe passe a fazer parte da individualidade da mãe por isso.)

-Da individualidade de ser pretende esta parte conferir a esse ser individual direitos já na fase intra-uterina, que não é mais do que a primeira fase da vida de qualquer pessoa, seja-se religioso ou não não tem nada que ver com o assunto.

-Quanto aos direitos da mãe. Por tudo o que foi dito, defende-se que o aborto não é um direito, porque é uma prática que está a terminar a vida de um ser individual e humano (não é um macaquinho sequer, por muito que defenda também com todo o vigor os direitos dos animais). A menos que se reconheça que é válido terminar-se, sem iniciação de força por parte dalguém, a vida desse alguém (homicídio) também não vejo como se possa defender que um ser humano, apenas por estar dentro duma barriga, já não merece a mesma protecção de todos nós. Em suma, o direito de vida e morte sobre outro ser Humano não é algo que possa ser adjudicado a outra pessoa, ainda que seja uma mãe.

-Qualquer incómodo e embaraço que uma mulher precise suportar para carregar uma gravidez até ao fim (9 meses) é ridiculamente inferior ao incómodo de um ser que vê a sua vida tirada sem que tenha uma palavra a dizer. Aqui entra que a mulher não é forçada a arcar com as consequências da sua negligência, do seu azar (se foi responsável e mesmo assim engravidou), ou da violência de terceiros (violação, o agressor é o violador e não o filho), POIS PODE e até em certos casos DEVE dar para adopção, ficando o seu direito de constituir ou não família intacto.

-Já agora, se formos apenas um monte de células antes de nascermos, somos também um monte de células, ainda que mais numeroso, depois de nascer. Note-se por exemplo que o cérebro humano só é considerado completamente formado aos cerca de 10 anos (bem depois de nascer). Portanto é perfeitamente arbitrário considerar-se quem nasceu como pessoa (esse sim um conceito muito mais filosófico do que científico) e a quem não nasceu ainda como um monte de células. Dois pesos e duas medidas é mau.

Quem quiser ler um texto extenso e assumidamente científico sobre o assunto deixo o link, não é nada bom para nenhuma causa fazer analogias distorcidas, O Irão não tem nada que ver com o assunto e chamar o Irão à baila é como o habitual chamar hipócrita a quem, sem OU COM MOTIVOS SÉRIOS pensa por si e chega a conclusões diferentes.

Aqui fica uma pequena amostra do artigo:

"Myth 2: "The product of fertilization is simply a 'blob,' a 'bunch of cells', a 'piece of the mother's tissues'."

Fact 2: As demonstrated above, the human embryonic organism formed at fertilization is a whole human being, and therefore it is not just a "blob" or a "bunch of cells." This new human individual also has a mixture of both the mother's and the father's chromosomes, and therefore it is not just a "piece of the mother's tissues". Quoting Carlson:

"... [T]hrough the mingling of maternal and paternal chromosomes, the zygote is a genetically unique product of chromosomal reassortment, which is important for the viability of any species."15 (Emphasis added.)

Myth 3: "The immediate product of fertilization is just a 'potential' or a 'possible' human being — not a real existing human being."

Fact 3: As demonstrated above, scientifically there is absolutely no question whatsoever that the immediate product of fertilization is a newly existing human being. A human zygote is a human being. It is not a "potential" or a "possible" human being. It's an actual human being — with the potential to grow bigger and develop its capacities."


O link é http://l4l.org/library/mythfact.html

Luto por um mundo sem clubismos de razão, lute-se por causas fortes, não se desprezem factos apenas para ganhar.

http://dakshinamurti.tripod.com/sabonetemoral

Cumprimentos amigáveis a todos.

Afixado por: MS em novembro 2, 2004 02:52 PM

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