
Longe da aceitação. Ao ler esta notícia acerca da homofobia usada nas campanhas para as eleições do Senado nos EUA, mais uma vez cheguei à conclusão que, mais do que serem contra a homossexualidade, estas pessoas são contra a visibilidade da homossexualidade. A política don't ask, don't tell é um exemplo disso mesmo: podem ser todos gays à vontade desde que ninguém saiba. Ou seja, por favor coíbam-se de qualquer acto que revele a vossa homossexualidade e finjam ser algo que não são para que os outros, os "normais", não se sintam incomodados. Sejam sem serem, controlem-se, reprimam-se, neguem-se. Por vezes parece-me que prefiro os homófobos mais radicais, ao menos esses não são tão hipócritas, não fazem este tipo de cedências vazias para se refugiarem numa pseudo-tolerância.
Mas como fazer para obter mais visibilidade? Um gay mais efeminado ou uma lésbica mais masculina poderão automaticamente ter visibilidade, mas limitam-na a uma parte esterotipada da "comunidade" gay. A grande maioria da população LGBT não se distingue do resto da população exactamente por ser tão semelhante a esta, por não ser um estereótipo. E nem todos os gays têm namorad@ para andar de mão dada na rua, expressando o seu afecto e ao mesmo tempo mostrando que daí não vem nenhum mal ao mundo. O número dos que têm coragem para expressar esse afecto é ainda mais reduzido, é um ciclo vicioso: não há visibilidade, porque não há aceitação, porque não há visibilidade... Falta-nos coragem? Acho que sim, mas acho que é por sermos "invisíveis", heterossexuais aos olhos dos outros, que não sentimos um apoio dos outros LGBT que todos os dias se cruzam connosco na rua, na escola e no emprego. Se tivéssemos uma cor diferente os números falariam por si, a presença seria uma afirmação, uma base, uma segurança. Mas assim é mais fácil jogar pelo seguro porque a alternativa parece ser bem penosa, pode correr tudo bem ou tudo mal. E acabamos por, consciente ou inconscientemente, alinhar neste jogo de "hide the homo".
Como pequeno aparte quero só esclarecer, por talvez não ser claro, que não tenho nada contra gays efeminados nem lésbicas masculinas, pelo contrário, creio que a visibilidade que proporcionam tem mais prós do que contras.
Zun
Publicado por renaseveados em outubro 6, 2004 03:45 AM |Zun my love como te percebo.. subscrevo tudo.
a solução claro está é sair do armário, ir às marchas etc.. mas por vezes isso é mesmo muito complicado, eu que o diga.. lá vou saindo passo a passo, devagarinho, um de cada vez.. e já tive os meus problemas..
devíamos nascer com uma marca na testa.. era tudo tão mais fácil. Ou nos matavam à nascença ou eramos aceites na boa..
e quando dizes «Por vezes parece-me que prefiro os homófobos mais radicais, ao menos esses não são tão hipócritas, não fazem este tipo de cedências vazias para se refugiarem numa pseudo-tolerância.» também percebo e subscrevo. Os homófobos hipócritas são absolutamente irritantes, e depois temos que nos controlar, acalmar, a lidar com eles, porque eles também o são (calmos), na sua imensa hipocrisia.. insultam nas entrelinhas, e por isso resta-nos fazer o mesmo.. rais'parta @s gaj@s!
Afixado por: Boss em outubro 6, 2004 04:05 AMQuando é que acaba o jogo do hide the homo? Quando é que saia tudo das profundas do armário? Não são só LGBT que devem sair de lá, os heteros também. todos os cidadãos deviam sair do armário do heterosexismo. já!
Afixado por: Pagan em outubro 6, 2004 12:55 PM"não há visibilidade, porque não há aceitação, porque não há visibilidade..." Esta maldita pescadinha de rabo na boca é a nossa desgraça. É pena não se vender coragem na loja da esquina, se assim fôsse abríamos os armários todos e estava o asunto resolvido. Lá chegaremos ;)
Afixado por: em outubro 6, 2004 03:21 PMás vezes tento-me esconder. nem a macholice nem a feminice resultam muito bem, porque como tão bem me costumam lembrar, acho que sou dum terceiro planeta. não percebem as minhas piadas (os hetero) levam a mal o meu á-vontade físico (os heteros), e quando os meus maneirismo parecem saídos duma representação teatral (á descontra) dizem, é pá, já disseram, és mesmo doutro planeta! hide baby? I can´t hide!!!! I won't run!
Afixado por: ana p em outubro 6, 2004 03:23 PMBoss,esse desejo de diferença marcada no corpo (nascer com uma marca na testa) é pernicioso e fascista (sim ouviste bem,fascista) e só leva a políticas de segregação quando não de extermínio, como aconteceu no regime nazi com os célebres 'triângulos rosa'. Como essa marca em princípio não existe, ao contrário dos caracteres de raça ou sexo, é preciso marcar os individuos para identificar melhor essa diferença que é sentida como uma ameaça à identidade. Que sejam os próprios homosexuais a desejar identificar-se deste modo só me pode causar tristeza e indignação. É que eu acho essa ausencia uma vantagem. A visibilidade só deve ser promovida num plano cívico e de liberdade.
Além do mais só o gado é que se marca para se saber a quem pertence...
veado_invisivel: sem querere ser advogado do diabo (mas a se-lo no fim de contas), julgo que o que o Boss quis dizer é que haveria muito mais reividicação por parte d@s homossexuais, se o seu estigma nao fosse "escondível" , tal como no caso dos negros e mulheres. E está aí um dos grandes entraves (se não o grande entrave) para uma não haver um movimento forte neste cantinho. Entre andar an rua sem levarem com bocas ou ser incomodados, o que é mais cómodo? E se em vez de um movimento existirem uns movimentinhos Às turras, o que fazer? Dar a cara pela causa (?) ou ir à vidinha de todos os dias? Já lá vão os meus dias de idealismo, agora estou um perfeito cynic. E quem não age, ou nunca agiu assim, que atire a 1ª pedrita.
PS: no meu caso, acho que só mesmo fazendo jogo sujo é q se lá vai neste país, mas como parece que sou uma voz no deserto, quem acreditar que com argumentaçoes bem fundamentadas lá vai que continue. Por mim (e quantos mais?) continuarei a tentar exercer a minha influencia a um nivel interpessoal, mas não me apanham em carnavais.
Afixado por: silpheed em outubro 6, 2004 10:49 PMVeado a ideia não era marcar ninguém, falei apenas por hipótese, e concluí que se houvesse uma marca visível e natural a coisa era mais simples.. mas isso era eu a "filosofar".. um cenário irreal.. não o leves demasiado a sério..
Afixado por: Boss em outubro 7, 2004 12:13 AMe de novo, falava de uma marca à nascença, natural e inata ;)
Afixado por: Boss em outubro 7, 2004 12:15 AMBoss, eu percebi, mas há hipóteses que não interessam. Tem toda a importancia a forma de equacionar as questões, pois elas podem voltar-se contra nós.
Afixado por: veado_com_um_sinal_olha_nos_cornos em outubro 7, 2004 12:23 AM