agosto 30, 2004

O Outing de Paulo Portas

Paulo Portas

Aquando do acidente do Prestige Paulo Portas rezou à Nª Sª de Fátima para impedir que o fuel chegasse às águas portuguesas, não sabemos se a reza foi feita nos wc's ou na capelinha de Fátima, mas aparentemente resultou, e Portugal safou-se. Já com as Women on Waves Paulo Portas não confiou em Nª Sª (será que por ser mulher?), e enviou embarcações militares para vigiarem o Borndiep, afinal um barco com mulheres emancipadas a bordo é muito mais perigoso que um petroleiro em pleno afundamento...

Toda a hipocrisia em torno da questão do aborto ganhou novas dimensões nos últimos dias, sendo que o governo chegou ao ponto de apoiar a ilegalidade e violação de tratados internacionais para impedir que o barco entrasse em águas nacionais. Tudo isto tem irritado muita gente sobremaneira, e já perdi a conta ao número de comentários e posts por essa blogosfera fora onde se faz referência mais ou menos directa à sexualidade do ministro da Defesa e Assuntos do Mar, alguns, como o nosso comentador Silpheed, não hesitam em exigir uma tomada de posição pública por parte das organizações LGBT portuguesas sobre o assunto. Contem desde já com a minha oposição.

Expôr a orientação sexual de um político por causa da sua opinião sobre o aborto não faz para mim qualquer sentido. A orientação sexual de alguém não determina a posição quanto a este assunto, e não faltam gays e lésbicas com posições vincadamente anti-aborto. Neste caso o que há a denunciar é a violação do direito internacional, cujo grau de gravidade não depende da sexualidade de quem a toma. Falar da sexualidade de alguém neste caso seria estar a fugir ao cerne da questão, a criar fait-divers inúteis.

Mas fará sentido falar da sexualidade (homossexual) de um político em alguma circunstância? Em muito poucas creio. Parece-me que apenas quando um político apoia medidas e posições claramente anti-gays, a sua homossexualidade deva ser tornada pública contra a sua vontade. Exemplifiquemos, um político diz que os gays não devem poder ascender a cargos de chefia no exército, se esse político é homossexual a sua homossexualidade deve ser revelada. No fundo o que se faria era a denúncia da hipocrisia desse político, o outing seria o meio para se alcançar esse fim. Tal como revelar o caso de um político anti-abortista que levou a mulher a Badajoz para fazer um aborto, por exemplo.

Voltemos ao caso Portas. Não me lembro de alguma vez ter ouvido Paulo Portas a falar de gays, lésbicas ou o que quer que fosse relacionado com o assunto. A homofobia do seu partido é conhecida, mas não é brutalmente superior à do restante panora político nacional. Não há a meu ver as tais circunstâncias que justifiquem a exposição pública de uma possível homossexualidade.

Mas imaginemos que alguém o faz, imaginemos um político opositor de Portas a acusa-lo de ser homossexual. A coisa começaria logo mal, soaria sempre e inevitavelmente a acusação, a homossexualidade seria o "crime". No fundo iria-se atacar um péssimo político, que tem tanto por onde se pegar, por algo que não é defeito nem qualidade, a sua sexualidade. O apelo à homofobia dos eleitores estaria implícito, não votem nele, porque ele é gay!

Esta atitude além de ser condenável, seria muito provavelmente contra-producente. Há anos que circula o boato de que "Paulo Portas é gay", já foi até comentado na extinta Rádio Voxx, como refere o Mix Brasil. Ou seja, um anúncio público da sua sexualidade não chocaria nem surpreenderia ninguém. Feito contra a sua vontade seria um excelente pretexto para uma estratégia de auto-vitimização, que poderia passar por frases lapidares do tipo «todos nós temos o direito à privacidade da nossa vida íntima», reportando assim e uma vez mais, a sexualidade para o domínio exclusivo da cama, o que contaria certamente com o apoio dos reaças homofóbicos que sempre o apoiaram. Porque para grupos políticos como o CDS ou a igreja católica, não há mal algum em ser gay, desde que isso não extravase as quatro paredes do quarto.

Respondendo finalmente à pergunta da imagem, is Paulo Portas gay or not? Definitivamente, I couldn't care less.

Boss

Publicado por renaseveados em agosto 30, 2004 06:18 PM |
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Comentários

Sim, sou eu o Boss. Ressuscitei! Depois explico como! ;)

Afixado por: Boss em agosto 30, 2004 06:20 PM

Eu discordo. Acho o outing uma estratégia que nunca deve ser utilizada, precisamente por achá-la:
1-típica de um regime em que ser gay é uma vergonha
2-baseada em especulação
3-assente num regime de vigilância e controlo da sexualidade dos outros

Para além disso, e mesmo que alguém gay crie políticas anti-gay, é com ideias e com palavras que se discute... não com denúncias da vida privada dos políticos. Cada um faz o que quer na sua vida privada e ninguém tem nada com isso. Francamente não me poderia interessar menos a vida sexual dos políticos...

Afixado por: Pagan em agosto 30, 2004 06:29 PM

Apesar de concordar com o tom geral do post...

Boss?????? uma ressurreição aqui?????????

aiiiiii

Afixado por: Pagan em agosto 30, 2004 06:31 PM

Pagan mas imagina que um político como o senador americano Santorum, que defende abertamente a criminalização da homossexualidade, imagina que esse político é gay, não deve ser posto fora do armário?

E não tem sempre que ser especulação, basta o testemunho de um ex-amante. Em todo o caso reafirmo, no caso Portas nada o justificaria, até ao momento.

Afixado por: Boss em agosto 30, 2004 06:37 PM

Há outras formas mais dignificantes de fazer política. Não me parece que isso justificasse...

Afixado por: Pagan em agosto 30, 2004 06:42 PM

Excelente post.
Concordo em absoluto contigo.

Isto é o país da hipocrisia.

Afixado por: cachucho em agosto 30, 2004 06:53 PM

Ressuscitado Boss: parabéns pelo teu post.
Em 1º lugar gostaria de clarificar uma coisa: concordo contigo quando dizes que não faz sentido reagir com um coming-out qd o assunto é diverso, neste caso o aborto. Mas a minha defesa pelo coming out forçado do senhor não tem a ver com o tema especifíco, mas com o que ele representa em geral.
Temos um político que se diz conservador. Embora não considere que sê-lo implique necessariamente ser-se autoritário, repare-se na pose com que nos brinda sempre que surge na TV (a foto que incluiste capta a essência disso). Mas, concordo, só o facto de ser autoritariozinho não tem logo que levar a um coming out forçado. O problema é que no discurso conservador (e não só, sejamos realistas) perpassa toda uma adesão a valores patriarcais que não sei como o rapaz consegue conciliar com a sua (ok, alegada) homossexualidade. O facto de não tocar no assunto, o que significa? Para mim uma mera estratégia de "eu não falo de vocês, vcs não falam de mim". Uma estratégia que tem tido nas diversas camadas da populção (gay, inclusivé) a sua cumplicidadezinha. cumplicidadezinha que se tem reflectido em coisas tão simples como perguntar. Não perguntar ao senhor se é homossexual (o assunto por si só não me interessa), mas sim o que pensa sobre, por exemplo, a adopção por homossexuais e o casamento. Tão somente isso. E ver-se-ia as respostas: se é a favor, entaõ pq o silêncio, se contra então...aquilo que preconizo. Porque o que está em causa não é a vida privada em si mesmade fulano ou sicrano(apesar de a proibição de que foi protagonista ser uma clara interferência na vida privada de outras pessoas), mas sim se há desfasamento entre o que se prega (ou se cala) e o que se faz. E, neste ponto, eu que sou um bocado a dar-me a meios termos, sou perfeitamente radical. Interessa-me sim saber se há este desfasamento, principalmente de alguém que tem poder e que sempre fez a apologia da transparencia, nem que para isso tivesse que publicar mentiras (das não sei qtas manchetes do Independente que se entretinha a inventar, quantas correspondiam a verdades?).
Acho muito bem que se desconstruam os discursos, que se veja o que está por detrás daquilo que é dito, mas a eficácia PRÁTICA desses exercícios tem os seus limites. Afinal, que descontrução discursiva foi feito pelos protagonistas de Stonewall? Foi mais a desconstrução do "toma lá estas pedras no focinho, meus caros cops".

PS: não estou com o exemplo de Stonewall a preconizar que se comece a andar à paulada ou pedrada. Acontece que um ou dois coming outs forçados e, muito importante, BEM FUNDAMENTADOS (isto é, com provas- obtê-las seria difícil, mas nao impossível) de hipócritazinhas destes e a ameaça de mais alguns levaria a muito bom PP a rever as suas posições públicas, o que valeria por muito pau e pedra.

Haja vontade e coragem para o fazer. Caso contrário, para quê associações ou blogs sobre o tema? Para dizer que existem e continuamente choverem sobre o molhado?

Afixado por: Silpheed em agosto 30, 2004 07:38 PM

Há uma parte que ficou confusa mais ou menos a meio falta-lhe um verbo (é). Releiam, se tiverem pachorra :: : "Não É perguntar ao senhor se é homossexual (o assunto por si só não me interessa), mas sim o que pensa sobre, por exemplo, a adopção por homossexuais e o casamento."

Afixado por: Silpheed em agosto 30, 2004 07:43 PM

bom post, concordo! em relação à homossexualidade do senhor tb estou ctg... nao aquece nem arrefece!

Afixado por: pandora em agosto 30, 2004 08:00 PM

Não concordo nada, Boss: a alegada homosexualidade de Portas é relevante na medida em que ele é líder de um partido cujo programa se fundamenta na trilogia Deus/Pátria/Família, na sua vertente mais intolerante, reaccionária e homofóbica. O facto de apregoar publicamente valores que não pratica em privado denota desonestidade, cobardia, falta de fibra moral, ou todas as anteriores. "Qualidades" que os potenciais votantes deverão conhecer, antes de lhe dar, eventualmente, o seu voto.

Afixado por: em agosto 30, 2004 11:55 PM

Fui eu que fiz o comentário anterior.

Afixado por: vieira do mar em agosto 30, 2004 11:56 PM

Paulo Portas, Paulo Portas.... e então e o Sócrates?

http://anabelarocha.blogspot.com/ :

«Procurando por fotografias do José Sócrates (tão lindinho, tão jovem, tão charmoso, o máximo!) no Google fiquei muito decepcionada porque só o encontro de camisa branca e gravata, ou de gola alta preta, algo franciú.
Mas onde estão as fotografias daquela camisa fantástica rosa-choque, ou da sedosa lilás, com as quais o vi várias vezes no Bairro Alto, acompanhado de jovens rapazes igualmente fashion? Assim não brinco!»

Afixado por: Jorge M. em agosto 31, 2004 12:57 AM

Olha aqui estas duas noticias: exemplo perfeito da eficácia da técnica de "outing":

Congressman Shrock (R-VA) Resigns

A versão politicamente correcta:
http://www.dailypress.com/news/local/virginia/dp-va--congressmanretire0830aug30,0,5223656.story?coll=dp-headlines-virginia

e a versão real da coisa:
http://www.blogactive.com/2004/08/action-write-congressman-ed-schrock.html

...comparem e critiquem.

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 01:16 AM

De facto, hipocresia deve ser exposta, especialmente quando se trata de alguem que de certa forma nos "comanda"!
E para comecar, como diz o Silpheed, os portugueses deveriam exigir uma posicao clara desse politico relativamente ao que ele pensa sobre as unioes e adopcoes por homossexuais.

Afixado por: Opinioes em agosto 31, 2004 01:53 AM

Miguel Santos: deliciously shrocking :) Destas coisas é que é preciso.

Afixado por: silpheed em agosto 31, 2004 02:26 AM

Concordo plenamente com a posição defendida pelo Misha neste post (Boss desculpa mas gosto mais de Misha).
A do Pagan surpreendeu-me, é muito sensata, mas eu acho que nalguns casos deve prevalecer a RealPolitik, precisamente nos casos indicados pelo Misha, pois a política não se faz só com a discussão de ideias. O coming-out forçado é uma táctica eficaz nessas circunstâncias pois deixa as forças conservadoras sem protagonista, mas apenas pontualmente- basta arranjarem um outro representante para promoverem essas políticas conservadoras que não tenha essa 'mancha' na sua biografia (penso que é isto o que revelam as noticias indicadas no post acima)- contudo os efeitos podem ter outro alcance- revelam a hipocrisia que perspassa por muitas dessas forças conservadoras que toleram nos seus o que proíbem à população em geral como mecanismo de controle e sustentação do poder.

Afixado por: veado_apoiado em agosto 31, 2004 02:30 AM

"contudo os efeitos podem ter outro alcance- revelam a hipocrisia que perspassa por muitas dessas forças conservadoras que toleram nos seus o que proíbem à população em geral como mecanismo de controle e sustentação do poder."

Ora aí é que se encontra o objectivo principal da técnica do "outing" - demonstrar a hipocrisia daqueles que se acham acima do resto da população.

mais um link (não se esqueçam de votar no sondagem!):

http://home.hamptonroads.com/stories/story.cfm?story=74982&ran=126361

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 03:09 AM

... e já agora o link para a gravação com a solicitação de sexo:

http://www.blogactive.com/image_files/0804/audio1.mp3

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 03:35 AM

Um grande Viva! ao retorno do Boss.

Afixado por: Maria em agosto 31, 2004 04:48 AM

Outing: Part II

Why is Ed Koch, NY's former mayor, a gay man, speaking at the Republican National Convention?

http://www.blogactive.com/2004/08/action-use-ed-kochs-work-email-and-ask.html

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 05:06 AM

Silp, há muito mais estratégias do que o outing. Penso que o outing tem características extremamente negativas porque assenta na delação. E delatar alguém é algo que acho execrável. Para além disso o outing retira apoio político às associações, porque as pessoas passam a ter medo delas. Eu pelo menos teria.
E caso se entrasse na linha do outing neste blog, eu saia na hora. Acho que a sexualidade deles não é uma arma política, e quando o é, tem um efeito backlash sobre quem a usa.

Será que para os combater teremos que usar as mesmas armas que eles?

Afixado por: Pagan em agosto 31, 2004 05:43 AM

Se os SPAs que daz com o seu lover boy são pagas pelo Estado diz-me respeito, e senão I couln't care a bushit if you know what I mean...

Afixado por: sara cacao em agosto 31, 2004 07:42 AM

Pagan: pois poderá não ser uma estratégia muito bonita, mas que resultado têm tido as outras estratégias. Quem as ouve? Quem se importa?
Mais uma vez saliento: não é coming out forçado por dá cá aquela palha. O que está em causa nem é a (alegada) homossexualidade do sujeito por si mesma, mas sim o (quanto a mim, muito provável) desfasamento entre os valores que se pregam (ainda que neste caso, haja um silêncio estratégico suportado por todos) e o que se pratica. Como disse no meu comentário, antes de qualquer coming out, há que interpelar a criatura sobre a sua posição relativamente a casamento entre homossexuais e adopção. O coming out só dependeria de uma resposta de repúdio. Mesmo uma resposta positiva teria implicações políticas, pq exigiria outras: então pq nada tem feito nesse sentido? como se sente sendo presidente de um partido que é contra? está disposto a enfrentar o seu partido neste assunto?
Acontece que estas perguntas têm de ser feitas por interlocutores privilegiados (no sentido em que têm acesso a meos que os indivíduos não têm) e é aí que entrariam as associações de deefsa de direitos dos gays.
No entanto, Pagan, não compreendo a tua posição tão politicamente correcta. Estou de acordo com essas posições no inicio, mas depois já não dá- ou vai ou racha. (continua)

Afixado por: Silpheed em agosto 31, 2004 10:39 AM

A partir de uma certa altura, o falar, falar (ou escrever escrever) sem mais nada deixam de fazer sentido. Li num comentário algures uma referência a Edgar Hoover- então esse porco não tinha merecido um belo outing? Pela tua posição, não. Mas vê o que deu no fim: após décadas de perseguições a pessoas, de destruição de vidas o rapazola até estátua tem! Poder-se-á dizer que ficou para a história como umcrápula...bem lhe interessa isso agora que está mortinho.
E é isto que me angustia, Pagan, Boss: é a injustiça de tudo isto. Porque acredito que dentro de 20, 30 anos a homossexualidade em Portugal não será tão estigmatizada e estes hipócritas vão fazer o seu outingzinho e...ainda aclamados como heróis pela "coragem". Um coming out forçado impederia esta glorificação e, penso, fucionaria como um catalizador. Tv não fossem precisas duas ou três décadas.
É arriscado, eu sei, traria "chatices" no início- yeap. Mas aí está a minha pergunta: qual a função das associações?
Se queremos que a homossexualidade não seja vista como "a orientação diferente" (logo, mais provável de estigmatizar), é bom começarmos a pensar que é tanto entrar na vida privada dizer que X é homossexual, como dizer que Y é heterossexual. Se se ficar por aqui, como preconizo, não vejo onde esteja a intimidade- não se fala de posições, por exemplo.
A alguém a quem faz impressão saber que x, y ou z é homossexual com o argumento (sonso) de que isso é muito íntimo, é pergunatar-lhe se se considera homo ou heterossexual. Se for hetero, nem hesitará em dizê-lo. E pq? Porque a pergunta não foi: prefere sexo oral, anal ou vaginal - isso sim íntimo. Aliás, que mensagem (entre outras) está a dar um simples casal de namorados que ande de mãos dadas numa qq rua? A de que são heterossexuais, mesmo que não seja esse o seu objectivo (mas é impossível não veicularem esta mensagem)O que se passa, como bem sabem, é que enquanto a heterossexualidade está construída no domínio da normalidade (o que permite os implícitos) a homossexualidade nem por isso (e exige os explícitos).
No entanto, objectivamente (se é que tal existe) nem o termo homossexual é mais íntimo do que heterossexual, é-o apenas ao nível do simbólico. Ora, seria bom que pelo menos nós, na prática, não confundíssemos os níveis, pq isso são resquícios, muito subtis, de homofobia (cá vai mais uma polémica).
PS: tinha mais uma coisita para escrever, mas agora varreu-se-me :) Há-de voltar.


Afixado por: silpheed em agosto 31, 2004 11:11 AM

veado_apoiado és a primeira pessoa a dizer que prefere o Misha ;) Mas o Misha não morreu, anda por aí, já já dá de si ;)

Jorge.. se eu soubesse que o José Lello era gay, fazia-lhe um outing, afinal foi ele que disse: O PS não se pode misturar com tudo. Não pode aparecer ao lado do movimento das lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais. Mas não sei, nem consta que seja..

Aliás, e para o Silpheed e outros, o grande problema começa aqui. É que não sabemos, conhecemos boatos. Figuras públicas com homossexualidade escondida só tenho a certeza de uma, um jogador de futebol que já foi para a cama com um amigo meu. Excepto esse caso , não tenho nem posso ter a certeza sobre mais ninguém.

Acho que antes de fazer os tais outings, e caso se justifiquem, porque há casos em que se justificam (e aqui discordo profundamente do Pagan) é importante trazer a agenda lgbt para a agenda noticiosa. É importante conhecer a opinião exacta de cada um desses supostos gays armarizados..

tem que haver um timing, um motivo. E tem que haver certezas! Provas, testemunhos...

Enfim, tudo coisas que não estão ao alcance de um blog como este, p ex.

Mas dizer que o Portas ou o Sócrates são gays, assim sem mais, sem contexto, sem provas etc etc.. não me parece boa onda, nem boa sementeira.

Afixado por: Boss em agosto 31, 2004 04:20 PM

ah, e Sara o problema que referes é o de uso de dinheiros públicos para week-ends amorosos, é indiferente que sejam na companhia de um homem ou uma mulher, são igualmente graves, e devem ser igualmente condenados.

Afixado por: Boss em agosto 31, 2004 04:28 PM

Concordo com o Pagan que a sexualidade dos políticos não deveria ser invocada. Mas pode ser questionada a sua hipocrisia.

Nomeadamente, um Paulo Portas tão beato que atribui à senhora de Fátima o desvio da maré negra do Prestige, que insiste em ser filmado em piedosas poses de devoção, que se indigna com o atentado à moral e bons costumes católicos que seria a revisão da anacrónica lei do aborto, que invoca razões de Estado para impedir a entrada em águas nacionais do barco da Women on Waves que tem a dizer das declarações da sua ICAR que afirma que os homossexuais não têm direitos porque... não têm valor social???

Se ele acha que os dogmas da ICAR estão errados em relação à homossexualidade porque tenta impor a toda a população outras dogmas? Porque deixou a secretária de estado da Educação Mariana Cascais, escolhida por si e sua amiga pessoal, fazer e dizer as barbaridades que se viram em relação à Educação Sexual nas Escolas? Entregues em muitas escolas àquela associação sinistra pró-vida que prega a abstinência e sexo só depois do casamento e acha lindo mães adolescentes?

Ou seja, cada vez que o PP sair com aqueles Se Deus quiser&afins ou referir os valores cristãos que norteiam a sua acção encostarem-no à parede e obrigarem-no a apresentar a sua opinião sobre as palermices da ICAR em relação à sexualidade em geral e homossexualidade em particular.

Não é um outing forçado; é uma exposição da sua hipocrisia!

Afixado por: palmira em agosto 31, 2004 04:43 PM

E porque é que é importante conhecer a opinião desses gays armorizados? E já agora, quais são os critérios para fazer esses outings? E quem os deverá fazer? This is so big brother...

Afixado por: Pagan em agosto 31, 2004 04:45 PM

Boss: se releres os meus vários comentários, verás que nunca disse que os coming outs forçados dveam ser feitos de forma leviana. São precisas provas (e salientei a dificuldade das mesmas) e não devem ter origem de um caprichozinho. Além disso, antes de enveredar por essa estratégia, há que confrontar a pessoa com perguntas e só a partir das respostas é que se deverá partir para uma ou outra acção.
Agora, repara, não acredito que o simples perguntar (qt mais agenda!) seja feito e é isto que mais me irrita, pq acabam por ser cumplicidades. Depois as pessoas não participam em marchas e mais não sei o quê (em que me incluo) e não percebem porquê. Eu tenho uma resposta que é a que me leva a não participar: é pq paraece-me não servir para grande coisa. Lá se dança, lá se dizem umas coisas, mas agir com coerência,com visão e de modo concertado (ai as tricas entre as várias associações do estilo:"nós é q fazemos aqueles nao fazem nada"!) é que não. Como convencer as pessoas a dar a cara por uma causa e arriscar numa sociedade como a nossa qd não se sabe bem para onde se anda ou sequer se há vontade de se andar a sério?

Afixado por: silpheed em agosto 31, 2004 05:42 PM

Esse confronto de que a Palmira fala é salutar. Perguntar o que pensam, o que pensa o partido, forçá-los a debater a questão e torná-la parte da agenda política, isso sim, é rumar contra a hipocrisia. Tornar os direitos d@s LGBT uma questão mainstream, forçar a que sejam discutidos, falados, problematizados, isso sim me parece muito mais importante como agenda LGBT do que entrarmos na lógica da delação.

Afixado por: Pagan em agosto 31, 2004 06:07 PM

Algumas notas sobre o "outing":

1 - Pode-se ser homossexual e político e estar contra algumas ideias (ou todas) defendidas por grande parte da comunidade gay.

2 - Um "outing" nunca é agradável, muito menos se for público. Ao admitirmos a legitimidade desta acção "popular", estamos a abrir o precedente para que nos façam o mesmo.

3 - O "outing" deriva directamente da estratégia da denúncia (geralmente) anónima. Não é democrático nem edificante a defesa de "bufos". Se há provas, implica uma vigilância execrável da intimidade,se não há, uma especulação perigosa.

4 - A homossexualidade não é a principal característica de uma pessoa. Na política, ainda menos (um político homossexual não tem de se assumir como tal). Podem-se confrontar os políticos com ideias, com questões, com protestos. Mas racionais, fundamentados e democráticos. É a única forma de combater a hipocrisia.

5 - O homossexual que nunca teve um comportamento hipócrita face à sua sexualidade ou à de outros, que atire a primeira pedra.

6 - Como tudo isto parece radicar num latente desejo de vigança pessoal (ainda hoje tive um exemplo num comentário a um post meu) e pouco acima do insulto, creio que é preciso ter muito cuidado quando se toca publicamente nestes assuntos. Aliás, o que o Renas fez foi um "outing" insinuado (sem provas) e vê-se bem o tipo de feedback que logo gerou.

Afixado por: Nuno em agosto 31, 2004 07:30 PM

Nuno, concordei com tudo ...só uma emenda: o que o Boss fez e não o que o Renas fez! lol

Afixado por: Pagan em agosto 31, 2004 07:45 PM


Parece-me que não terá sido ideia do Boss fazer o "outing" de Portas, apenas quis dizer que se reparmos no título do post e na foto que o ilustra, pode-se facilmente entender-se o post como tal.

Mas mesmo sim, Boss, apenas pareces defender o "outing" em casos específicos. E dás exemplos. Contudo, vemos que no primeiro caso o político que não quer gays em altos cargos, pode mesmo achar isso (pode até achar-se uma excepção). No segundo, o mais importante será linchar publicamente os "pró-vida" que vão fazer 1 aborto ou tentar perceber por que o fazem? Não será melhor lutar contra a hipocrisia de forma a não manchar e expor a vida privada de outrém?

Afixado por: Nuno em agosto 31, 2004 08:32 PM

Nuno e Pagan, sim pela primeira vez alguém, eu, falou da possível homossexualidade de Paulo Portas. O país parou em choque, e abriu a boca de espanto. Essa carapuça serve-me na perfeição. Adiante.

A regra para se fazer um outing parece-me clara, quando um político defende políticas que visem prejudicar homossexuais pelo simples facto de o serem. Não se trata de não apoiar medidas pró-lgbt, até pq muitos homossexuais, mesmo fora do armário, não as defendem. Dou de novo o exemplo de Rick Santorum, um político americano que defende a criminalização da homossexualidade, ou seja, a criação de novas leis que persigam homossexuais. Caso Rick Santorum fosse homossexual não hesitaria um segundo em apoiar o seu outing.

Felizmente que em Portugal não há nenhum Rick Santorum, não de forma oficial e clara e que seja gay.

Afixado por: Boss em agosto 31, 2004 08:41 PM

Nuno a escolha do título não é inocente, é óbvio. Escolhi-o porque chamava a atenção para um post muito longo e àpartida pouco atraente. Sou um rapaz dado a estratégias de marketing, queimem-me na fogueira. Mas fi-lo também porque não é nada de novo, sejamos honestos, a possível homossexualidade de Paulo Portas é uma dado tido como certo para a maioria das pessoas.

Depois dizes: «Não será melhor lutar contra a hipocrisia de forma a não manchar e expor a vida privada de outrém?» -> Sem dúvida. Mas há fins que justificam os meios. Quando se quer evitar uma lei de criminalização da homossexualidade parece-me perfeitamente razoável que se manche a reputação de alguém para a evitar. E porquê manchar? Porque há-de estar manchada a reputação de alguém que fez um aborto ou de um homossexual.

A mudança de mentalidades não se faz sem sacrifícios. E há gente que não me custa ver sacrificada.. de novo, atirem-me à fogueira por isso.

Afixado por: Boss em agosto 31, 2004 08:51 PM

Se notarem um tom excessivamente ríspido nos comentários perdoem-me e culpem o Pagan e as nossas mais recentes conversas ;)

Afixado por: Boss em agosto 31, 2004 08:54 PM

Umas atrás das outras...hehehehe

O Michelangelo Signorile acabou de confirmar que o representante Republicano pelo estado da California David Drier (http://dreier.house.gov/) é gay numa entrevista "in situ" na convenção republicana.

http://www.siriusoutq.com/servlet/ContentServer?pagename=Sirius/CachedPage&c=ChannelAsset&cid=1048859631701

David Drier é o consultor politico do "Governator" Arnold, e um dos politicos Republicanos com maior influencia nos EUA.

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 08:59 PM

Está visto, na América não se discutem os outings, fazem-se! LOL Obrigado Miguel por nos manteres a par ;)

Afixado por: Boss em agosto 31, 2004 09:04 PM

É mesmo... e eles lá vão caíndo como tordos...LOL

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 09:07 PM

Começo a achar que um veadinho dava uma melhor mascote para o Partido Republicano que o actual elefante heehhe

Afixado por: Boss em agosto 31, 2004 09:10 PM

Este artigo do Washington Blade sobre a corrente onda de outings é bastante interessante:

Wave of outings hits Congress
Angry activists target closeted members, staffers with anti-gay records

http://www.washblade.com/2004/6-18/news/national/wave.cfm

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 09:11 PM

PAGAN!!!!!! CONCORDO CONTIGO!!!!!!!! estou estupefacto, boquiaberto, etc. etc. etc. ! :)

Afixado por: vilas em agosto 31, 2004 09:22 PM

LOLOL Vilas! A próxima vez que me vires pagas-me uma caipirinha por esta concordância. O que eu não faço por free liquor!!!!

Mas é só nisto, n? ou é em mais coisas?

Afixado por: Pagan em agosto 31, 2004 09:30 PM

Sim, senhora. Estou a adorar o nível e variedade da discussão.

Há anos que sou pró-outing de políticos que, em posição de influenciarem decisões anti-lgbt dos seus partidos (essas sim, decisões de vigilância da vida sexual dos cidadãos), o façam e não se assumam previamente; ou seja, tudo seria muito mais simples e indiferente (aqui é que eu estaria nas tintas para a vida particular do dito político) se o Portas dissesse assim: eu sou gay e penso que os gays assumidos não devem cumprir serviço militar, não devem dar sangue, não devem poder casar, etc, etc. Ou seja, o que está em causa é de facto a hipocrisia política, e não a delação ou a denúncia de alguma suposta vergonha, Pagan.

É também por isso que aquele político de direita gay holandês, que foi assassinado ( e não estou a defender o seu assassinato, atenção)era perigoso - Pim Fortrun, ou coisa assim, agora me lembro um pouco - era muito perigoso, e Paulo Portas, se for gay, é apenas um cobarde, um medroso, um amputado político (que só consegue ser algo perigoso numa vida política e mediática de baixo nível como a nossa).

Ainda aguardo pelo político português que perceba que assumir-se gay, nos tempos que correm, é uma força, não uma fraqueza. É uma demonstração de coragem e de coerência política que o eleitorado aprecia. As pessoas suportam cada vez pior, conforme se vê nestes posts, a dissimulação, o medo, as agendas pouco transparentes.

Por outro lado, concordo com o perigo de criar um efeito de auto-vitimização se o outing for feito numa altura política errada - como esta, por exemplo. A circunstância política teria de ser extremamente bem pensada e avaliada. Não é por acaso que essa arma nunca foi usada em Portugal.

Outra coisa ainda: concordo inteiramente com o interesse de questionar mediaticamente estas pessoas sobre determinados assuntos - isso não seria entrar na sua vida privada; e penso que os jornalistas portugueses confundem excessivamente as duas coisas e respeitam salazaristicamente os assuntos tabu de algumas destas personagens, quando não existe qualquer motivo, senão a subserviência, que o justifique. Resumindo: é grave que o armário dos media não diga respeito somente à orientação sexual das figuras públicas e inclua também questões sobre política sexual, sobre as quais qualquer político, qualquer que seja a sua orientação, deve ser claro perante o eleitorado.

Afixado por: Anabela Rocha em agosto 31, 2004 10:08 PM

Olá de novo Miguel*

Esses outings forçados que resultam nos US aqui pelo burgo suponho poderem ser contraproducentes. Acho que uma entrevista, p.e., em que se perguntasse ao Paulo Portas, tão devoto católico ao vivo e a cores nos nossos media, sobre o que acha da prosa emanada do ex Santo Ofício da Inquisição pela pena do seu chefe Ratzinger em relação, sei lá, aos homossexuais: não terem direitos porque não têm valor social, que o casamento de homossexuais é uma blasfémia; ao feminismo: tb contra natura porque o pecado original ditou um papel subserviente às mulheres, etc... seria excelente :-)

Claro que o principal para a tal mudança de mentalidades não é o outing, espontâneo ou forçado, de alguém, por mais importante que seja. É necessário desmistificar o que está subjacente a essa mentalidade. Ou seja os dogmas cristãos que desde Agostinho no século IV têm vindo a ser secularizados e que condicionam a sexualidade ainda hoje. As palermices contra natura&afins (já arranjou o livro do Bruce Baghemil?).


* o meu nick no Expresso online é spanky :-)

Afixado por: palmira em agosto 31, 2004 10:19 PM

Olá Palmira (Spanky).
É bom saber q tb para por estes lados. Tenho saudades das batalhas no Expresso Online...hehehe

Acho que é importante salientar que penso que a técnica de outing deve ser aplicada em termos muitos restritos, e especialmente quando há PROVAS CONCRETAS acerca da pessoa a quem a tática se dirige.
Ainda mais importante, nunca sugeri que tal se deveria aplicar ao caso do Paulo Portas, pois sinceramente não sei em detalhe quais são as suas posições politicas em relação a uma variedade enorme de tópicos. Apenas defendo a tática como manobra de ultimo recurso para demonstrar a hipocrisia de dirigentes que dizem uma coisa e fazem outra. Há um blogger aqui nos EUA que correctamente deu este exemplo para explicar o fenómeno de "outing" (http://atheism.about.com/b/a/101560.htm):

"If an important member of PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), actively involved in popular efforts to ban the sale of meat, was known to grab a Big Mac a couple of times a week, would it be wrong to publicize that fact? I don't think so. By making a political issue out of what others eat, they are no longer entitled to the same privacy about what they eat. By politicizing the issue, their real beliefs about it become a matter of public interest. "

O fenómeno de "outing" torna-se então num eficaz mecanismo de ilustração de hipocrisia, promovendo a discussão sobre os principios que levam esses politicos a esconder a sua sexualidade e sobre a implicação social do seu comportamento como funcionários públicos.

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 10:40 PM

Ah... e já me esquecia: aínda não comprei o livro do Bruce Baghemil(Biological Exhuberance)
:-), mas está na minha lista de livros para lêr.

Neste momento estou a lêr a bigrafia do candidato a Senador pelo estado do Illinois e futuro presidente dos EUA, o magnífico Barack Obama! Este homem dá-me esperança que os EUA podem voltar a ser um exemplo para o resto do mundo.
Para ter uma ideia, recomendo a audição do seu discurso na convenção Democrata em Boston: verdadeiramente inspirador!

http://www.npr.org/features/feature.php?wfId=3624813

Afixado por: Miguel Santos em agosto 31, 2004 10:50 PM

plenamente de acordo, miguel :-)

Mas a verdade é que aí pela califórnia não aprecias as pérolas que Paulo Portas, um cruzado com o fervor de um born again, debita ... uma confrontação de facto em que ele fosse obrigado a explanar as suas posições sobre determinados temas seria importante. Um outing "espontâneo" então seria fantástico :-) com a espontaneidade despoletada in vivo sei lá, por um entrevistador ou alguém num painel de discussão que conhecesse intimamente o dito :-)

Fartei-me um pouco de bater no burro no online, agora estou mais numa de blogoesfera :-) Desde há menos de 2 semanas até escrevo uns artiguitos no ... Diário de uns Ateus, claro :-)

Afixado por: palmira em agosto 31, 2004 11:07 PM

Qd propus ao entaão Misha que escrevesse sobre o assunto, tinha a certeza de que iria dar azo a grande troca de ideias com as quais pudesse aperfeiçoar as minhas. E não é que resultou? :)
Gostei muito desta troca de ideias, mesmo daquelas com que não concordo. Mas é isso o debate :)

Afixado por: silpheed em setembro 1, 2004 02:45 AM

Anabela o político holandês era o Pim Fortuyn. Ele foi descrito pela imprensa europeia não-holandesa como de extrema-direita, mas o mesmo não se identificava como tal. Quando dizer que ele era perigoso não sei se te referes à questão lgbt, se é creio que não o era. Cheguei a ler entrevistas dele, e ele era plenamente favorável aos direitos lgbt, que de resto na Holanda já estão creio que plenamente assegurados.

Ele defendia era políticas de emigração que podem ser consideradas xenófobas, mas que são defendidas por muitos políticos por toda a Europa sem que levem com o rótulo extrema-direita em cima. De forma alguma estou a defender essas políticas, só não sei se são o suficiente para o rótulo "fascista", já que partidos como o PSD ou o PP espanhol também defendem políticas similares.

Mas em relação aos direitos lgbt, de forma alguma ele queria recuar, pelo que não entendo bem o perigo a que te referes.

Afixado por: Boss em setembro 1, 2004 11:32 AM

Boss: ele era perigoso precisamente porque não era atacável pela sua homossexualidade, uma vez que ela era assumida, ou seja, tinha uma imagem de não hipocrisia e de coragem, e até de modernidade e juventude, uma imagem forte duma extrema-direita moderna, "prá-frentex" (não digo isto na minha perspectiva mas na de muito eleitorado).

Era essa imagem que, quando somada às suas opções xenófobas, era perigosa, porque cativava eleitorado que não se deixa cativar habitualmente pelas agendas da extrema-direita mas que, com as devidas circunstâncias de crise económica e com líderes como este, pode ser cativado.

Afixado por: Anabela Rocha em setembro 2, 2004 12:51 PM

Ah ok. Já percebi ;)

Mas como disse, eu vi umas reportagens já posteriores à sua morte, e fiquei com a ideia de que o rótulo "extrema-direita" era exagerado.. o seu partido pareceu-me bem menos direita que o nosso PP por exemplo. Embora considere o nosso PP como extrema-direita..

mas não tenho dados suficientes para avaliar correctamente a coisa. De resto ele já morreu.. e creio que o partido se dissipou.

Afixado por: Boss em setembro 3, 2004 01:19 AM

Não posso estar mais em desacordo com muito do que se disse! De facto a vida privada é com cada um mas não é estanque nem é só do foro privado de cada um! Se um político anti aborto levar a sua mulher a badajoz para abortar, a sua atitude privada está em total oposição com a veia moral que ele divulga como sendo a linha norteadora correcta dos valores para a sociedade que defende. Do mesmo modo, não é indiferente que o sr Portas seja homo sexual na sua vida privada, já que os valores que o seu partido perfila passam, entre outros, pela homofobia. Voltando um pouco á frase já estafada´: á mulher do Cesar nao basta ser séria tem parece-lo. Dava para jogar com as palavras e dizer que não basta dizer que é, tem de se-lo, de facto! Não se pode de forma nenhuma alijar comportamentos desviantes com a peneira da vida privada, já que muitos crimes acontecem na vida privada, e nem por isso deixam de estar sob a alçada do Código Penal. Não sendo a Homosexualidade um crime perante a lei, não é correcto ter-se um politico oficialmente homofobico e que depois tem nome artistico na praça precisamente numa actividade que ele condena!
Seria muito "homenzinho" se se assumisse. Até porque nao é um fenómeno exclusivo da Direita. Em todas a profissõs, credos ou convicçoes politicas há gente que pertence a essa classe. Não os persigo, não os condeno, nem os aprovo nem reprovo. São-me indiferentes enquanto á sua orientação sexual. Já no que toca a outras vertentes, aí sim. Tudo o que toca a hipocrisia, envio de barcos de guerra e a fantochada para as camaras, metem nojo....Aí já me apetece dizer que são ...." Paneleiriçes"......

Afixado por: Discordante em setembro 19, 2004 04:23 PM

Eu, pessoalmente, acho que, num Estado de direito, todos os políticos heterossexuais deveriam manifestar a sua orientação heterossexual no dia da tomada de posse, antes de serem todos possuídos pela democraticidade....

Afixado por: paulo janelas em setembro 30, 2004 11:24 PM

Eu cá, acho que o Paulo Portas é muito giro e deixo o meu contacto para o caso de ele querer fazer o outing em privado.

Afixado por: Paulo Portinholas em setembro 30, 2004 11:27 PM

Eu cá acho isso tudo um absurdo! Estou na disposição de exibir na SIC a minha coninha que está vermelhusca de tanto ser penetrada pelo viril membro da defesa nacional! Vejam a minha cona! E alarguem os vossos horizontes!!!

Afixado por: coninha jardim em setembro 30, 2004 11:30 PM

sou católica praticante. estou chocada com o que andam a escrever neste blog. devo dizer que partidos como o cds-pp não admitem homossexuais na sua militância. não sejam ingénuos! o dr. paulo portas gosta muito de mulheres, então digam-me por que razão vai ele a casa da mãe? por que razão anda ele com a cinha jardim? por que razão é ele solteiro? porque quer andar a comer todas as gajas sem se comprometer! acreditem nisso! qualquer dia vocês vão pôr em causa a homossexualidade do dr. santana lopes!

Afixado por: ana nave em outubro 3, 2004 12:56 AM

bem este ultimo comentaário só podia ser de uma puritana solta, querida se a menina não quissese ler não lia não acha?
da parrateira

Afixado por: parrrr em outubro 20, 2004 11:44 PM

Ei,gentinha liberal e solidarizinha vejam se explicam ao pessoal porque é que um tipo de esquerda é pode ser um digno GAY e um tipo de direita tem de ser PANELEIRO,ou será que nos cús também há luta de classe???

Afixado por: manuel em janeiro 26, 2005 02:50 PM

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