abril 22, 2004

A Igreja e os seus pecados

Agenda: IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA. Eventualmente a minha instituição preferida. Não por ser católico, até porque não o sou de todo. Pagan é ateu. Mas pelo potencial que esta organização tem como objecto de análise e de reflexão. Ora, primeiro há que distinguir entre os fiéis e a estrutura vertical e hierárquica. A ICAR tem desde o século XVIII, uma base de fiéis esmagadoramente constituída por mulheres (Já Michelet o identifica no século XIX). No plano da hierarquia, todos homens. Sem excepções. É um lugar estruturante das relações entre os sexos, por ter esta estrutura sobressexuada.

Para além disso, no seio da hierarquia, é uma estrutura, que à medida que nos aproximamos do vértice, as idades aumentam. Até chegarmos ao PAPA, que neste momento, já vai nos 80's e tais. Portanto uma estrutura de homens, castos (supostamente), e essencialmente de idades provectas. Sociologicamente, isto já explicaria uma série de coisas. Mas adiante.

A Igreja assume desde o século XIX uma especial vocação em disciplinar as mulheres. Afastá-las da tentação, moldá-las, modelá-las à imagem de uma mulher que é mito e símbolo da suma perfeição. A Virgem Maria, que evolui de uma mera santa para uma mediatrix, entidade de origem humana, mas mantem um título que lhe garante a sua excepcionalidade: Theotokos (Mãe de Deus). Por oposição a um retrato do que as mulheres (para eles) já são: EVA. Pecadoras, alvo do desejo e da concupiscência dos homens. Relembra-se Santo Agostinho, um dos teólogos fundadores com o dictum de que as mulheres são a fonte de todo mal. Apesar da orientação mariana do actual Papa, a Igreja ainda olha as mulheres com estranheza. O que não é estranho tendo em conta que o modelo de Maria é impossível para a maioria das mulheres: serem mães e virgens. Para a Igreja, as mulheres são mães. Como mostram as teólogas feministas, a própria imagem de Deus é masculina, quando para englobar o feminino deveria ser assexuada. Será que este Deus não é também heterossexual?

A persistência da Igreja actual, do ponto de vista de Magistério, emanando documentos que atacam quer as minorias sexuais (veja-se no próprio Catecismo da ICAR, que os homossexuais são convidados a renegar a sua sexualidade, sendo feito um apelo à castidade), quer as mulheres (negando-lhe o direito à sua auto-determinação, em flagrante contraste com o livre-arbítrio de St. Agostinho, em prol de uma suposta vida que a elas cabe providenciar ninho, transformando-as num mero habitat, ausente de auto-determinação), é pois animada de um espírito de exclusão, patente também na negação do acesso das mulheres ao sacerdócio. E contra isto, creio que fiéis, menos fiéis e infiéis como eu se podem e até devem manifestar.

Pagan

Publicado por renaseveados em abril 22, 2004 09:18 PM |
Publicidade

Comentários
Contador